Terça-feira, Junho 17, 2003
Acho que é um reflexo da minha frustração por ainda não ser uma feliz proprietária de um aparelho de DVD. Eu entrava na Distrivídeo e perguntava à atendente por uma fita. Com uma cara de abuso, ela avisava que "todos os VHS estão aqui" e apontava para uma mísera pratileira no canto da loja. Eu pegava a fita e começava a olhar as roupas. Sim, na Distrivídeo vendia roupas, e muito bregas, por sinal, estilo vestidos de aluguel com muitos e muitos dourados. Eu e minha irmã não parávamos de mangar dos modelos, apesar das repreensões de mamãe. Por fim, eu via um relógio vermelho na vitrine e pedia para prová-lo. Perfeito! Lindo! Perguntei se poderia já ficar com ele no braço e o vendedor disse que não havia problema. Quando já estava no balcão pagando a conta, o gerente chega e me avisa que eu não posso levar o relógio.
Eu: Por quê?
Ele: Porque não pode.
Eu: Como assim "não pode"?
Ele: É que este relógio já foi vendido.
Eu: E eu com isso? Estava na vitrine e não tinha nenhuma indicação de que havia sido vendido ou reservado.
Ele: Mas não pode.
Eu: O senhor conhece o Código de Defesa do Consumidor? O erro foi da loja e eu não tenho nada a ver com isso.
Nessa hora minha irmã me puxava pelo braço e saíamos correndo. Não pergunte pela minha mãe que eu não sei, nos meus sonhos as pessoas aparecem e desaparecem do nada. Corríamos pela Antônio Sales com o gerente jogando bolinhas vermelhas (!?) em nós e acabávamos entrando em uma Pague Menos para nos protegermos da ira do maníaco das bolinhas vermelhas. Eu explicava (aí eu já estava sozinha, minha irmã também puffff) a um cara na farmácia a minha situação e ele me dizia que eu estava certa e podia entrar na Justiça se eu tivesse testemunhas.
Mas eu não tinha testemunhas...
Pensava que não tinha. Nessa hora entrava Jamelão (!!!) dizendo com sua voz de trovão: "Eu vi!"
Ele dizia que estava na Distrivídeo atrás dos cabides (?!) e que tinha visto tudo e que queria processar aquela "locadora nojeeeenta, amizade".
[Eu queria entender por que vivo sonhando com famosos. Pô, Jamelão! Jamelão! De onde eu tirei o Jamelão, caramba?]
MISS KOLTRANE at 11:09 PM
Interprete:
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Sábado, Junho 14, 2003
No celular
(Em homenagem a minha mãe)
O telefone celular tocava dentro da bolsa. Era como procurar uma agulha no palheiro. Quando consegui resgatá-lo da selva dentro da bolsa, já tinha parado de tocar.
>>01 chamada não atendida
>>ver detalhes
Richard Gere
1 212 456 2020
Poxa, era o Richard Gere, amigo de minha mãe ligando de Nova Iorque! Eles haviam se conhecido dentista e eram grandes amigos. Ele me ligava para encomendar um conjunto de facas gourmet para cozinha.
RENATA BARBOSA at 11:01 AM
Interprete:
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Quarta-feira, Junho 04, 2003
O post não-post, um sonho interrompido
Não posso contar o único sonho que me recordo dessa noite porque ele foi interrompido por um telefonema. Putz. Bem na hora em que eu ia me servir da salada no almoço na casa-castelo do Paul McCartney. Droga de telefonema. E ainda era engano.
MISS KOLTRANE at 11:23 PM
Interprete:
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Manifestação de condomínio
Chegava com minha sobrinha no antigo prédio onde morei até os nove anos. Não era exatamente o mesmo prédio, pois ele parecia ter sofrido uma reforma que ampliou em quatro vezes seu tamanho original. Minha sobrinha queria muito andar de bicicleta, e era necessário um certo tipo de autorização.
Enquanto procurava a sala administrativa, reparei que o pilotis estava cheio de rapazes, muitos mesmo. Todos na faixa dos 20 e poucos anos. De repente, se revoltaram. Todos apareceram com tacos de beiseball e um grito de guerra bem estranho, como se houvesse uma percussão ao fundo marcando o ritmo. Notei que eles tinham a intenção de quebrar os carros estacionados no interior do prédio. O batalhão de choque se aproximava. Começou a pancadaria! Na hora pensei em duas coisas: 1) que bom que estacionei meu carro lá fora; 2) é isso que acontece quando há muito testosterona envolvida.
Peguei minha sobrinha pela mão e saímos correndo para longe da confusão. Entramos no salão de festa do condomínio, onde a terceira idade jogava bola (?!). Chamaram-me para jogar, porém recusei. Disse que antes tinha que pegar o "visto de bicicleta" da minha sobrinha.
Encontrei, finalmente, a sala da administração.
- Com licença, eu moro aqui nesse prédio e queria pedir uma autorização para minha sobrinha andar de bicicleta.
- Qual o apartamento?
- É o vinte dois, zero cinco.
- Dois mil e vinte e cinco?
- Não, dois mil duzentos e cinco!
- Sim, vinte zero dois cinco!
- Não!! Vinte dois, zero cinco. Dois mil duzentos e cinco!!!!
E ficamos lá discutindo...
Consegui o tal do visto e retornei ao salão de festa. Nesse momento, minha sobrinha já tinha evaporado. A geração terceira idade continuava jogando bola. Por simpatia, resolvi aceitar o convite.
Lá estava eu jogando bola com a terceira idade. Quando eu digo "jogar bola", quero dizer jogar bola mesmo com as mãos, que nem se faz com criança. Então, eu sem querer jogo a bola na cara de uma das senhoras mais distraídas. Por mais que me desculpasse - "foi sem querer, juro" - a terceira idade me expulsou do jogo.
Daí o sonho desandou. E eu acordei logo em seguida :)
RENATA BARBOSA at 6:51 AM
Interprete:
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